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sábado, 6 de novembro de 2010

Cakes & Tapes

Há uma nova netlabel Portuguesa. Chama-se Cakes & Tapes, também edita k7 em edição limitada, e conta já com 4 edições, uma das quais pelas mãos do já veterano nas lides netaudiodescas lusófonas Daniel Catarino com o seu projecto Long Desert Cowboy. A quinta edição está já prometida para Novembro pelas mãos de Luis Costa.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Bit Radio Records


Apesar de já contar com três edições só hoje é que tomei conhecimento desta nova netlabel nacional vinda da Invicta.

A Bit Radio Records é uma netlabel criada pela Escola das Artes da Universidade Católica, e tem como objectivo apostar em novos talentos, criar oportunidades, não limitar a escolha e permitir uma expansão das edições discográficas nacionais. Tem também como objectivo oferecer a possibilidade de melhorar a música dos artistas nos estúdios da faculdade.

Mais do que as palavras o que interessa é a música. Por isso deixo aqui os contactos do site oficial e do myspace.

domingo, 7 de dezembro de 2008

O futuro das netlabels

No blog Thinnerism, da netlabel Thinner, foi hoje publicado pelo Sebastian Redenz, um interessantíssimo artigo que aborda o actual momento e modelo do netaudio e questiona, à luz do recente desaparecimento de netlabels já estabelecidas como a One Bit Wonder, Epsilonlab, Instabil, Kyoto Digital, Textone e Realaudio, o futuro e o modelo das netlabels.

Deixo aqui a transcrição do primeiro parágrafo e o link para o restante texto, que além de ser de leitura obrigatória foca uma série de aspectos importantes que merecem reflexão e discussão:
Constraints to overcome towards a “total” Netlabel

If you’re a keen follower of the Netlabel movement then you might have noticed that a substantial amount of promising Netlabels shut down during the past 12-18 months, with One Bit Wonder, Epsilonlab, Instabil, Kyoto Digital, Textone and Realaudio to name a bunch. Other Netlabels like thinner, Stadtgruen and Interdisco became overly quiet with the releases as of late and finally Netlabels like Sinergy Networks or Clever Music have been converting to paid downloads. In the authors opinion, quality netlabels maintained by a team will continue to die out if they won’t develop their model. This article discusses various general constraints for Netlabels and recommends to add a paid downloads structure to overcome some of them.
(continuação)

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Perdido no labiríntico mundo das netlabels

Num mundo onde as televisões se gabam por ter maior quota de audiências, em que os programas mais vistos são telenovelas, galas de famosos e outros semelhantes no conteúdo, que esperar de um fenómeno como o das netlabels?

Primeiro que tudo, não o posso considerar um “fenómeno”, antes um mote de união de várias pessoas que, por todo o lado, apregoam a mobilidade da música independente, daquela que não tem espaço nos canais vulgares de divulgação. Se fosse um fenómeno, estaríamos – todos os relacionados com o movimento – empregados, a receber o equivalente monetário ao trabalho que desenvolvemos, apesar de toda a gratuitidade do processo.

Provavelmente muitos não concordam com esta minha opinião, mas a verdade é que da composição à gravação, da edição à divulgação, da construção e manutenção de sites ao design de capas, logos, posters, há muito trabalho envolvido, que acaba por ser pouco ou nada recompensado, seja monetariamente ou no número de interessados (que ainda assim cresce exponencialmente). Não sou um estudioso do “fenómeno”, sou mais um “aproveitador”. Muitos como eu fazem música que não me parece superior ou inferior à maioria dos que ganham dinheiro com a sua edição, e das capas aos posters, das críticas aos sites, não consigo vislumbrar grandes diferenças de qualidade. Já existem inclusive álbuns gratuitos com melhor qualidade de som que álbuns que vendem milhares no formato cd (não é o meu caso, obviamente).

Num sistema – alias, num mundo (deixemos estas teorias da conspiração para os filósofos futebolísticos) que fosse justo, o trabalho de todas estas pessoas seria devidamente recompensado. Seja em dinheiro, reconhecimento da sua qualidade ou interesse das pessoas. Porque me parece justo que a música seja gratuita para os consumidores, mas ao mesmo tempo não me parece justo que estes não recompensem aqueles que lhes estão a oferecer um produto de sua livre vontade. E quanto ao interesse, sabemos bem que o entretenimento fácil, aquele que é produzido com mera intenção comercial e nula visão artística, sempre será mais apelativo que qualquer forma de arte que pressuponha um qualquer envolvimento cerebral do consumidor final.

As netlabels podem ser vistas, na minha opinião, como um novo artista que recebe repentinamente algum sucesso com um álbum de estreia e fica na indecisão de que via a tomar: continuar pobre mas a fazer a música que gosta, ou agarrar-se a estereótipos comerciais e musicais que lhe permitam maior visibilidade e encaixe financeiro? Se a primeira opção não lhe fornecer qualquer tipo de recompensa, acabará por morrer à fome, e aí certamente que nem música fará. Por outro lado, a segunda opção leva a um abismo musical ainda maior, triturando lentamente o lado criativo e artístico, escrevendo canções em cartões Multibanco, em vez do piano ou da guitarra.

Sim, a música deve ser gratuita. Mas também deve ser valorizada como música pelo consumidor, e não ser considerada inferior àquela que pela qual paga.

Mas as netlabels deviam ser auto-suficientes, assim como os músicos e todos os outros que já referi. As cordas da guitarra com que alguém que oferece música irá gravar um novo álbum deveriam ser compradas com incentivos dados por aqueles que gostaram do anterior, parece-me. Este universo labiríntico das netlabels e afins é confuso, e vive – por enquanto – apenas da boa vontade de alguns indivíduos que as sustentam do seu bolso. Se se tornar um fenómeno, talvez aí as coisas mudem. Resta lutar para que isso aconteça.

domingo, 21 de setembro de 2008

Aviso às netlabels nacionais

Patryk Galuszka, é professor no Max Planck Institute for the Study of Societies in Cologne (Alemanha), e neste momento está a desenvolver um estudo sobre as netlabels e o netaudio.

Para isso ele pede que todos os donos das netlabels respondam a um pequeno inquérito (que demora pouco mais de 15minutos) que servirá para fundamentar mais o seu trabalho. Para responder ao inquérito, basta clicar aqui.

Todos os dados serão guardados em segurança e apenas serão usados para esta investigação científica. Quaisquer dúvidas que tenham sobre isto também poderão enviar um email para: gl[at]mpifg[dot]de ou ppatryk[at]gmail[dot]com.

sábado, 13 de setembro de 2008

Deestant Rockers dj mix

Como o meu primeiro post por aqui deixo um novo dj mix Deestant Rockers, para aquecer o corpo e a mente neste Outono. É um mix de muitas vertentes de Dub, Digidub e Dubtechno composto exclusivamente de material de netlabels um pouco por todo o mundo. Podem ouvir aqui ou descarregar para ouvirem mais tarde, o stream é de 128kbps mas download é 320kbps(Soundcloud rocks!).


Download

Tracklist:
Niklas Nummelin - Patience
Hieronymus - Normalization Dub
Echo_TM - Dub Culture
Blue Vitriol – Cryovolcano
Dubakom&Faianatur – Turban
Disrupt – The Brink Of Destruction
Dino Dub - Zion Dub
Inadubstate – Mission
Jacin Jani - Hard Like Stone
Ras Amerlock - Dub Wise
The Dub Machinist feat I-Plant - No Smoking Area (Part 1)
Finn The Giant Meets Sandmonk - Last Feast
Gary Dub - Own Vision
Rah & Mighty Prophet - Redemption Troopers
Imperial Sound Army feat Dan I – Creation
Blue Vitriol - Re-Entry Dub
InaDubState - Meditation Time
Sardinia Bass Legalize - Who?
The dub machinist feat I-plant - No Smoking Area (Gary Clunk remix)
Jacin Jani – Consciousness
Sardinia Bass Legalize - Apocalypse Dub
Hopen aka Lawn Llion - Nine Years
Niklas Nummelin – Lucid
Rasmus Hedlund – Dubpression
Laura Palmer - Evolve

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

feito em casa

Tempos houve em que me sentava no quarto a gravar música e sentia uma espécie de vazio quando terminava. Tinha a sensação que gostava do que acabara de fazer, mas ao mesmo tempo tinha a consciência que não me seria possível editar esse trabalho. Não porque não acreditasse na minha música, mas porque a qualidade de som – principalmente – nunca o permitiria.

Sim, gravei uns quantos cd’s que tratei de enviar para os mais variados locais, que trataram de não lhe ligar nenhuma. Nem sequer me responderam a dizer que a minha música era boa ou má, ou para os deixar em paz. Naturalmente. Maioria das vezes, os lançamentos nem são baseados na música, mas sim num ou noutro “hype”, no “ouvi falar”. Não me queixo, eu faço a música que quero, quem edita tem também o direito de editar o que quer.

Acabei de gravar dois temas para um futuro lançamento, e o espírito é totalmente diferente. Tudo bem, sei que não vai ser a “next big thing” em lado algum, mas tenho agora a certeza que este trabalho vai ser editado. É uma ideia bastante reconfortante, saber que não se está a trabalhar num abismo em que a confiança no que se faz é a única coisa que ecoa. Há pessoas que se dão ao trabalho de ouvir aquilo que faço no meu quarto com condições ridículas de gravação, e é cada vez mais um orgulho que tal aconteça, considerando o número de edições, e que praticamente todas elas têm melhor qualidade de som.

As netlabels, para mim pessoalmente, foram aquilo que eu precisava na altura certa, e não tenho senão coisas boas para dizer sobre elas. As desvantagens são algumas, mas sobre isso falarei noutra altura. O primeiro texto deve ser positivo.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

TEST TUBE RECAP

Olá a todos e boas férias ou bom regresso delas conforme o caso. Tenho andado com pouco tempo e paciência para vir aqui postar, confesso, só a test tube já me dá água pela barba e às vezes só me apetece mandar tudo para o galheiro e ir para a Nova Zelândia (para quem não me conhece, é uma private joke...), bom... adiante.
Vou abusar um bocado do blog - na realidade vou mesmo é violentá-lo com força, S&M style - , e meter aqui uma catrefada de releases que têm saído na netlabel. Algumas com reviews que entretanto foram sendo publicadas (nos respectivos idiomas) e outras com as liner notes oficiais (em inglês). Aqui vai então. Brace yourselves!



Começo com o primeiro lançamento duma nova aventura da test tube - mixed-media releases. Iremos apresentando de forma irregular e sem agenda pré-definida, vários trabalhos que poderão juntar áudio e vídeo, vídeo e texto, texto e imagem, imagem e áudio e todas as combinações possíveis. A ideia é que os artistas experimentem trabalhar com novos media e que se deixem ir até onde eles os levarem. Este primeiro trabalho é do David Vélez que me desafiou a publicá-lo e me obrigou a criar esta nova série. O próximo já existe e chama-se 'O Limoeiro', e será um trabalho áudiovisual dum autor cá do rectângulo. Fiquem à espreita...

«This is a delicious immersion into wonderful darkened depths. So well sculpted and taking you in directions you'd never expect - just at the moment that you're thinking that the drones and watery sounds will keeps shimmering and subtly changing, the piece will take a sudden turn. About two thirds through a chord sound leaps out at you, bringing your attention back to the music, and then that sound and variations are explored with more movement and power until the end. And the set of photos make a nice complement to the sounds - stark, evocative images. Overall a slick piece of work.»
- Sean Monaghan/Venus Vulture [EARLabs] / June 19, 2008

Donwload (.zip)



Uma chamada de atenção rápida para este maravilhoso álbum do suíço d'incise, que estará entre nós na primeira quinzena de setembro para alguns concertos - para já, 3,4 e 5 em Lisboa em locais a confirmar. 'Les Restes du Festin' é um álbum sumptuoso e de uma rara complexidade e caos contidos que vale muito a pena descobrir. Tivemos 10 cópias que foram oferecidas aos primeiros a comprar o novo DVD. Espero que tenham gostado do pacote, que foi feito pelo próprio músico. Ficam aqui alguns excertos de reviews:

«(...)El proceso creativo de estas piezas tuvo que ser también muy interesante, recogiendo grabaciones de un buen puñado de artistas (guitarras, pianos, percusión, saxos…) d’incise nos crea un collage sonoro en 14 partes hermoso y extraño, como un tren que no sabes a dónde te lleva. Un trabajo imprescindible, de verdad.» - Oír para creer / May 17, 2008

«(...) En esta impresionante obra de deconstruccion musical D’incinse explora y desdibuja los limites convencionales entre lo instrumental (composición) y el sonido orgánico o electrónico; lo rítmico y el ruido ambiental o accidental y la repetición del mismo.
El resultado es esta pieza asombrosa que le consolida en la vanguardia de la experimentación musical.» - millerindub [Netlabels & News] / May 20, 2008

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Mais um desconhecido na test tube. Matús Mikula vem da Eslováquia (não confundir com a Eslovénia) que é um pequeno país no coração da Europa, com 5 milhões de habitantes e a meio caminho dos Balcãs. A Capital é Bratislava.
Matús faz uma música ambiental curada a meio glitch meio drone, densa, incorpórea e um pouco sufocante. Não por acaso, ilustra uma viagem dum mergulhador ao fundo do mar, e o seu regresso - ficcional ou não - à superfície. Ou será o regresso a outro mundo, outra dimensão. Descubram.

«(...) Esta obra esta dividida en tres piezas, una primera: “The diver”, magistral, con increíbles paisajes sonoros, y donde empezamos a caer, a sumergirnos, a bucear hacia la zona abisal. Una segunda, oscurísima e inquietante, que da titulo al álbum, y una tercera que es la segunda parte de “The diver”, violenta y enigmática, como final de este profundo viaje.
Escuchar esta obra es, literalmente, caer en un abismo de sonido, el cual se va haciendo mas oscuro a medida que vamos descenciendo, pero donde es posible percibir reflejos y destellos de la luz cenital que se cuela por la superficie. ¿Te atreves?» - millerindub [Netlabels & News] / June 09, 2008

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Para quem aprecia música 'muito pouco ortodoxa', desafio a descoberta de '0112008' do norte-americano Jin Men Ju aka Terry Horn. Juntando uma guitarra de brinquedo - estilo aquelas com que se joga ao Guitar Hero - a uma Nintendo DS, Jin Men Ju cola loops que parecem cortados à faca uns aos outros para criar paisagens altamente hipnóticas para alguns, e altamente desesperantes para outros. Para quem gosta de descrições, imaginem uma espécie de 'alternative country' do século XXXIX criada por inteligências artificiais que nunca tiveram contacto com obras acabadas do passado mas apenas com fragmentos dispersos.
Aviso à navegação: música bastante difícil de digerir. Recomenda-se a ingestão de dois bons copázios de vinho ou a fumaça de um belo dum charro antes de iniciar a viagem. Foram avisados.

Download (.zip)

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Bom, para já fico-me por aqui para não se chatearem muito comigo. Mais logo destacarei aqui outras tantas releases que foram sendo atiradas cá para fora este verão. Abraços!

quinta-feira, 17 de julho de 2008

[História] : Espírito "indie" renasce na Internet

Enquanto andava à procura de novas e interessantes edições para colocar no BPF fui dar ao jornal Público e a este texto escrito em 28.02.2006 por Pedro Rios sobre as editoras virtuais em com especial destaque para as netlabels nacionais.

Editoras virtuais
Espírito "indie" renasce na Internet

28.02.2006 - 13h40 :, Pedro Rios (PÚBLICO)

"Basta eu achar que a música é fantástica que não penso duas vezes e edito-a." A frase de Pedro Leitão, responsável pela test tube, uma das primeiras editoras virtuais (ou netlabels) portuguesas, sintetiza o imediatismo que a Internet veio trazer à edição e ao acesso à música. Desde a sua criação, em Julho de 2004, a test tube já lançou 36 edições de músicos nacionais e estrangeiros. Há discos que chegam aos 500 downloads ao fim de dois meses on line - números consideráveis no diminuto mercado português. A test tube é uma das netlabels portuguesas, cujo número cresceu entretanto para uma dezena, quase todas surgidas no último ano.

As netlabels distribuem música em formatos digitais. As edições são semelhantes às de uma editora tradicional, mas estão disponíveis na Internet, regra geral, gratuitamente. Surgiram, a nível mundial, na década de 1990, mas têm raízes na chamada demoscene (equipas de artistas gráficos, programadores informáticos e músicos que competiam entre si). A maior parte destas editoras virtuais lança música electrónica ou experimental, mas há editoras dedicadas a outros géneros.

"Com o avanço tecnológico, o formato tornou-se como a música: imaterial", refere Pedro Granja Carvalho, da Plastic4Records. "A tecnologia evoluiu a tal ponto que nos permite divulgar música com escassos recursos obtendo potencialmente os mesmos fins que qualquer editora major [multinacional]", continua. Para André Neto, da Yellow Bop Records, as netlabels "espevitaram o músico que há em nós" e, por outro lado, permitem "aceder directamente ao consumidor". Por estas razões, há quem as compare às editoras independentes dos anos 1980, que também apregoavam o "faça você mesmo".

Indissociáveis do movimento de mudança na indústria musical imposto pela Internet, estas plataformas vêm colocar questões de direitos de autor, já que, ao contrário de outras formas de obter música na rede, pautam-se pela legalidade, através de licenças como as Creative Commons. Para Fernando Ferreira, da MiMi, existe nas editoras virtuais uma "atitude subversiva", mais do que "política". "As netlabels existem para provar que o universo da música digital não é uma afronta às companhias discográficas e aos seus artistas, mas sim uma forma de expressão por direito próprio, e de liberdade artística", argumenta.

Paisagem nacional diversificada

João Mascarenhas, da You Are Not Stealing Records, sustenta que a gratuitidade e a redução dos custos de produção associadas a este fenómeno "possibilitam mais espaço para coisas experimentais", mas alerta: "a democratização pode criar a ilusão de que qualquer coisa serve". Filipe Cruz, da Enough Records, a primeira netlabel criada em Portugal (em 2002), está satisfeito com o aumento do número de projectos congéneres, visto que, defende, este tipo de editoras "demonstra muito mais a cultura das cidades de todo o Mundo do que as editoras [tradicionais]". "É por isso que tenho uma netlabel", remata.

Ainda ligadas maioritariamente à música electrónica mais experimental, a tendência é que surjam editoras de todos os géneros. A Merzbau, por exemplo, é uma iniciativa de Tiago Sousa, um "outsider da cena netlabel", mas que, através dela, conseguiu "mover algumas iniciativas como o Out.Fest [festival no Barreiro] ou algumas noites de concertos com artistas" da editora, cujo foco de atenção é o rock.

A Merzbau, dedicada totalmente à música nacional, fez este mês um ano de existência, assinalado com o lançamento de um EP dos Lemur. Tiago Sousa considera que a dimensão da comunidade destas novas editoras portuguesas "continua a ser diminuta" e "cingida às pessoas que seguem o underground". Contudo, não acredita num "conceito fechado de netlabel", que pode vir a ser mais comercial do que actualmente. De igual forma, Carlos Monteiro, da Necrosymphonic Entertainment, uma editora orientada para o rock mais pesado e com raízes no metal, diz que o conceito é "bastante maleável". Fernando Ferreira, da MiMi, conclui: "As netlabels vão ser as editoras indie [independentes] do futuro e tendem a crescer cada vez mais. Existirão de todos os tipos de música, mais experimentais ou mainstream. Este facto não desvaloriza nada a filosofia das netlabels, pelo contrário - a música é [feita] por toda a gente e para toda a gente. É esta a ideologia das netlabels".

As netlabels portuguesas


Enough Records
http://enoughrecords.scene.org/
Primeira netlabel nacional. Tem já mais de 60 lançamentos, privilegiando formas de electrónica mais cerebrais, como a IDM e o dark ambient.

Merzbau
http://merzindie.no.sapo.pt/
A netlabel portuguesa mais voltada para o rock (de apelo indie) e exclusivamente dedicada à música portuguesa.

MiMi
http://www.clubotaku.org/mimi/
Novas tendências da música electrónica portuguesa e japonesa. Um dos projectos do ClubOtaku, organização divulgadora da cultura nipónica.

Necrosymphonic Entertainment
http://www.necrosymphonic.com/
Conta apenas com duas edições, que revelam a orientação da editora para o rock gótico e metal (com electrónica pelo meio).

Plastic4Records
http://plastic4records.com/
Música electrónica para pistas de dança convive com propostas mais abstractas.

test tube
http://www.monocromatica.com/netlabel/
Em pouco tempo, construiu um extenso catálogo com preponderância da música electrónica, mas também de rock menos ortodoxo.

Yellow Bop Records
http://essaycollective.org/yellowboprecords/
Projecto associado ao Essay Collective, reúne "dois produtores, dois músicos e um escritor de canções". Electrónica de vários feitios.

You Are Not Stealing Records
http://www.stealingorchestra.com/infolabel.htm
Netlabel de João Mascarenhas, dos Stealing Orchestra. Foi criada com a ideia de lançar discos da banda e projectos paralelos, mas alargou o raio de acção a outros artistas.

O texto foi transcrito ispsis verbis (link) e serve como mais um documento histórico sobre netlabels nacionais.

terça-feira, 3 de junho de 2008

UMOR REX



Secalhar alguns de vós já conhecem esta netlabel mexicana, mas fica aqui na mesma o desafio. Música electro-acústica, experimental, field-recordings, drones. Há espaço para tudo.

Boa viagem :)

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Beats Play Free @ Porto

Sex 16 Maio | 22h30-04h00
PITCH | Porto

Música livre! Música grátis!

Beats Play Free
"Netlabels: editoras de música cujas edições são gratuitamente distribuídas através da internet em formatos digitais de audio. A maioria das netlabels funciona ao abrigo das licenças Creative Commons."

É legal, é livre, é grátis - e é descarregada da internet toda a música que se vai poder ouvir no próximo sábado 10 de Maio no Quebra, em Coimbra.

As tropas do BPF vão invadir a cidade Invicta com mais um evento de música livre. Ao longo desta noite será possível ouvir as mais estimulantes novidades em distintas áreas musicais das mais importantes e inovadoras netlabels actualmente em actividade.

A iniciar as hostilidades estarão dois live-sets pelos artistas ocp e ps. E a noite prolonga-se com uma selecção musical em formato djset e estará a cargo de Ogata T3tsuo - representante da netlabel portuguesa MiMi Records - e de um entusiasta do netaudio: Braindance.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Recortes de Imprensa: Netlabels no JN (2005)

Andava eu nas minhas pesquisas pela net quando tropecei num artigo do Jornal de Notícias, datada de Dezembro de 2005 onde era abordado o tema netlabels e da qual fazem parte testemunhos de dois dos membros do BPF: O Pedro Leitão (The Caped Crusader) e o Tiago Sousa. Sendo assim decidi transcreve-la até porque continua pertinente e actual:

"Circuito alternativo merece atenção de editoras multinacionais
Distribuidoras gratuitas de música 'on-line' apostam em projectos ousados

Cláudia Luís

"Em Portugal, o fenómeno das 'netlabels' tem ainda pouca expressão. No entanto, 2005 foi um excelente ano para a sua divulgação, sobretudo graças à explosão de serviços como o iTunes". A constatação de Pedro Leitão, responsável pela Test Tube, uma das editoras on-line portuguesas, não é independente da previsão mais provável "Isto vai crescer exponencialmente".

Para já, o universo 'netlabel' "continua a ser familiar entre as pessoas ligadas ao meio musical, sendo ainda desconhecido do grande público", acrescenta Tiago Sousa, da Merzbau.

Esclareça-se 'netlabels', 'on-line labels' ou 'web labels' são distribuidoras de música em formato digital, maioritariamente em mp3, na Internet. A maioria disponibiliza os conteúdos gratuitamente - não há objectos físicos - e aposta em criações alternativas ao circuito discográfico tradicional voltado para o 'mainstream'.

Pode dizer-se que os serviços 'on-line' dedicados à música existem praticamente desde o aparecimento dos computadores pessoais. Contudo, o fenómeno das 'web labels' instalou-se a partir do momento em que o consumo de música em formato mp3 se popularizou, no final da década de 90. Entre os pioneiros, a nível mundial, constam a Kosmic Free Music Foundation, cuja actividade se prolongou entre 1991 e 1999, a Five Musicians, entre 1995 e 2000, e, a funcionar desde 1997, a Tokyo Dawn Records. Em Portugal, coube à Enough Records desbravar caminho.

Multinacionais aderem

"As 'netlabels' são fruto da revolução informática e apresentam-se como mercado alternativo ao da comercialização de mp3, uma vez que fazemos uma distribuição gratuita", afirma Tiago Sousa. "As próprias editoras multinacionais quiseram apostar neste mercado e algumas delas pretendem criar 'sublabels' para o lançamento de EPs e singles promocionais", acrescenta Pedro Leitão.

Recorde-se que o fenómeno advém da alteração da forma de consumo de música "O mercado de 'downloads' legais disparou no primeiro semestre de 2005, sobretudo na Europa", assegurou a International Federation of Phonographic Industry.

No caso da Test Tube, Pedro Leitão traça um balanço muito positivo "Uma média de 3 mil visitantes por dia, sendo a sua maioria estrangeiros".

Os leitores áudio digital vieram para ficar e o próprio director-geral da Associação Fonográfica Portuguesa, Eduardo Simões, declarou recente- mente ao JN que se assiste ao "maior desafio e à maior oportunidade de sempre para a indústria fonográfica, no sentido da transformação de uma indústria de suportes numa indústria de direitos".

Direitos protegidos. As 'netlabels' salvaguardam a propriedade intelectual dos artistas através do serviço 'creativecommons license', fundado em 2001na Internet.

Fenómeno 'underground'

O mercado aponta no sentido do crescimento das 'netlabels', assim como a experiência e as melhores expectativas de alguns dos seus responsáveis, nomeadamente, devido ao facto de serem lojas virtuais gratuitas. Mas Pedro Leitão sublinha que a verdadeira natureza deste projecto não é o da "grande exposição mediática isso seria estranho. Tem tudo para crescer, mas os próprios músicos e intervenientes envolvidos gostariam que se mantivesse enquanto fenómeno 'underground'".

O responsável lembra que "as 'netlabels' nasceram como contracultura, como forma forma de disponibilizar cultura gratuitamente e para todos, contra o mercado 'mainstream'".

Entretanto, vão sucedendo casos de músicos que começam por divulgar o seu trabalho em 'weblabels' e acabam por ser convidados por editoras independentes para editar em suporte físico. Pedro Leitão não tem dúvida quanto ao potencial "efeito trampolim" destas editoras.

Desobrigação financeira

Mercado cresce em Portugal

A maioria destas montras identifica os princípios subjacentes à sua actividade nos 'sites' (ver caixa). No caso da Test Tube, privilegiam-se "novas linguagens, projectos não convencionais e originais com qualidade estilísca e empenho na sua realização", diz Pedro Leitão.

O 'site' da Merbau vai mais longe e apresenta o seu manifesto "Num país como Portugal, em que é muito difícil obter lucro através da venda de discos, a desobrigação financeira que uma 'netlabel' oferece pode ser um bom meio". Este "desprendimento financeiro permite assim fazer apostas mais ousadas", realça Tiago Sousa, consciente, no entanto, da principal desvantagens do serviço. "Além de dependermos da boa vontade das pessoas, o mp3 é um formato mais prático, mas comprime demasiado as músicas, negligenciando a sua qualidade original. Nunca pagaria por um!"

[tube120] Gordon Tebo - Patina Turner

Olá de novo. Não tenho aproveitado para vir aqui promover os lançamentos da test tube mais por falta de tempo do que outra coisa, e prometo que vou tentar corrigir esse facto.
Fica aqui uma chamada de atenção para o novo trabalho do Norte-americano Gordon Tebo, rapaz da boa terra que é Chicago. Gordon já lançou um trabalho na test tube anteriormente, o esquizóide 'Adaptive Immune', onde se lançava de cabeça em experimentalismos electrónicos agrestes e rugosos. Era um trabalho conceptual sobre o sistema imunológico humano.

Desta vez Gordon muda de coordenadas, embora se mantenha nos trabalhos conceptuais, e volta a oferecer-nos um EP de quatro temas mas desta feita explorando os territórios do techno e da IDM, ou melhor dizendo, do 'pós-techno' (inventei agora). 'Patina Turner' - também um trocadilho com a avó Tina (reparem na capa com atenção) - é música para dançar dentro da cabeça mas também para o corpo. Gordon atira-nos umas malhas de grande categoria, em especial a primeira e terceira faixas, repletas de teclados marados, loops hipnóticos e névoas ambientais.
Gostei muito deste EP e espero que vocês também gostem.Download ou streaming aqui: http://www.monocromatica.com/netlabel/releases/tube120.htm

sexta-feira, 18 de abril de 2008

escolhas de releases para a semana

L'homme Manete - Fest-noz Commodore
adamned.age - cendre
Madcab - Keeping Wounds Open
B fachada - Até Toboso
Tatsumaki VS Nerve - Terrorise the old man
The Dead Poets - "Beauty & Brutality"
Motown Junkie - More
Avis Upchurch - " vylus"
Levi - Self Portrait
The Astroboy - A derrota da engrenagem
BLEEDING FIST - "Funeral"
Minson - Hidden Monsters
ROM - Drunk Vionlins
Children for Breakfast - Ham

sábado, 12 de abril de 2008

BPF regressa ao Quebra

No dia em que o Beats Play Free regressa ao local do crime original - o Quebra em Coimbra - chegam notícias de que em Maio haverá batidas livres na cidade do Porto. Mais novidades em breve.


segunda-feira, 7 de abril de 2008

Beats Play Free @ Quebra | Coimbra

Beats Play Free
Sáb 12 Abril | 22h30
QUEBRA | Rua de Quebra Costas - Coimbra

Música livre! Música grátis!

"Netlabels: editoras de música cujas edições são gratuitamente distribuídas através da internet em formatos digitais de audio.
A maioria das netlabels funciona ao abrigo das licenças Creative Commons."

É legal, é livre, é grátis - e é descarregada da internet toda a música que se vai poder ouvir no próximo sábado 12 de Abril no Quebra, em Coimbra.

Ao longo desta noite será possível ouvir as mais estimulantes novidades em distintas áreas musicais das mais importantes e inovadoras netlabels actualmente em actividade. A selecção musical estará a cargo de Ogata T3tsuo - representante da netlabel portuguesa MiMi Records - e de um entusiasta do netaudio: Deckhard.

sábado, 29 de março de 2008

1bit wonder has left the building ...

A 1bit-wonder fechou as suas portas após 3 anos de actividade. A netlabel termina o seu catálogo com a edição #032 - Latex Distortion e Gary West.



"From the website of 1bit wonder: "_1bit #032 by Latex Distortion and Gary West will be our last release. Too many other projects have been consuming our time lately, so instead of doing things half-heartedly we decided to quit when it's best. Thanks for three wonderful years full of love and great music! Our site will remain active for a while and may still serve you as an archive."

Thank you 1bit wonder for the beautiful releases! Netwaves will cast an interview with the founders, probably in nws063."

From: netlabelism.net

The Peppermill - V/A "52 Weeks"

Tomei conhecimento da Peppermill através de um artigo da webzine Phlow Magazine. O que me despertou a atenção nesta netlabel canadiana foram os seus projectos conceptuais. A sua primeira edição "30 days" consistiu num projecto em que cada artista interveniente acabava a sua faixa às 0h00 e passava-a ao artista seguinte para dar continuidade à colectânea. Tendo em conta que nela participaram artistas de locais tão dispares como os países nórdicos, o Brasil, Canadá e Estados Unidos ou Grécia, calculamos que não tenha sido fácil concretizá-lo.

Na mesma linha, a mais recente edição da Peppermill "52 Weeks", é uma colectânea com sonoridades na área do hip-hop, da qual fazem parte 52 músicas, produzidas ao ritmo de uma por semana e por artista, tendo o processo começado no dia 21 de Dezembro de 2006 e acabado a 20 de Dezembro de 2007.
Esta colectânea encontra-se dividida em quatro partes que correspondem as quatro estações do ano: Inverno, Primavera, Verão e Outono, podendo ser descarregadas separadamente ou em conjunto. De entre os participantes nesta colectânea destaque para alguns nomes mais ou menos conhecidos desta cena musical: Daedelus, Montag ou Candlestickmaker.

Download (zip)