[PT]
É mais um novo artista a entrar na família da MiMi Records.
Nesta estranha condição espaço-temporal saturada de informação, em que o excesso de dados se sobrepõe à experiência sensível, o Antropoceno já não se anuncia como hipótese futura, mas como presença imediata, quase física, a respirar-nos sobre os ombros.
É neste horizonte de colapso lento — ecológico, tecnológico e simbólico — que, ao longo da última década, Nuno Afonso, sob o heterónimo Falésia, tem procurado territórios sonoros limítrofes: paisagens ora vulcânicas, ora estratosféricas, onde a beleza ainda se recompõe a partir da estranheza e do desvio.
Música Pobre surge como um desses microcosmos singulares: uma realidade tecnológica que insiste em permanecer primitiva, quase arcaica, como se a eletrónica fosse aqui menos um instrumento de progresso e mais um vestígio — um resto, uma ruína ativa.
Entre ecos das congeminações teóricas de Mark Fisher, emissões de rádios distantes e exóticas, e uma panóplia de dispositivos eletroacústicos, constrói-se uma peça dividida em dois lados que são também duas visões do mesmo mundo: uma fratura, mais do que uma oposição.
[UK]
It is yet another new artist joining the MiMi Records family.
In this strange space–time condition saturated with information, where the excess of data overrides sensory experience, the Anthropocene no longer presents itself as a future hypothesis but as an immediate, almost physical presence, breathing down our necks.
It is within this horizon of slow collapse — ecological, technological, and symbolic — that over the past decade Nuno Afonso, under the heteronym Falésia, has been searching for liminal sonic territories: landscapes at times volcanic, at times stratospheric, where beauty is still reassembled out of strangeness and deviation.
Música Pobre emerges as one of these singular microcosms: a technological reality that insists on remaining primitive, almost archaic, as if electronics were here less an instrument of progress and more a trace — a remainder, an active ruin.
Between echoes of Mark Fisher’s theoretical formulations, broadcasts from distant and exotic radios, and a panoply of electroacoustic devices, a piece takes shape, divided into two sides that are also two visions of the same world: a fracture, rather than an opposition.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
[mi352] : Falésia - Música Pobre
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