"Em entrevista com o músico e produtor portuense João Ricardo, foi possível ficar a conhecer um pouco melhor o seu percurso profissional dentro da música, detesta clichés, rótulos e preceitos, adora tudo o que o liberta, que o transporta e faz sonhar. OCP é o seu projecto a solo, no entanto está ligado a outros projectos como os Pygar, os Boiar e a F.R.I.C.S. Tem quase 50 trabalhos editados e interessa-se por um sem fim de coisas no campo da experimentação tecnológica, da informática e da música. Recentemente acabou de lançar a netlabel EdP - Editora do Porto."
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segunda-feira, 1 de junho de 2009
quarta-feira, 18 de março de 2009
Entrevista com Filipe Cruz (ps)

Entrevista originalmente publicada no BrainDance, em 13 de Fevereiro.
Filipe Cruz ou ps é um dos fundadores e o mentor da Enough Records, a netlabel que está em destaque por aqui este mês. É também um activista militante da demoscene e da cultura livre, promotor de eventos, produtor de música electrónica e ainda engenheiro informático de formação e programador de profissão. Acedeu a responder a algumas perguntas que, por certo, darão um outro enquadramento da forma como as netlabels surgiram e se foram impondo, de como funcionam e de qual a filosofia que lhes está inerente.
BrainDance: Tu és um dos ‘veteranos’ do netaudio nacional e portanto vou-me aproveitar desse facto para tentar ter uma percepção mais ou menos cronológica da origem deste “movimento”. Segundo rezam as crónicas tudo começou na demoscene, verdade? O que é a demoscene?
ps: Viva João. A demoscene é uma cultura underground de arte digital. Nasceu da vontade de expressão artística e social dos grupos que pirateavam videojogos durante o seu rapido crescimento no final dos anos 80 e inicio dos anos 90. A cultura reestruturou-se num formato mais legal que consiste maioritariamente em produzir animações audiovisuais que executam em tempo real (framerate 30fps) num dado computador com determinadas capacidades gráficas. o objectivo é tentar fazer algo que demonstre as capacidades da máquina e a habilidade de quem programa as ditas demos. Estas chamadas demos são desenvolvidas sem fins lucrativos e distribuídas gratuitamente na net.
Deixo uns links para quem quiser saber mais sobre a demoscene e a sua ligação à distribuição gratuita de audiovisuais.
http://en.wikipedia.org/wiki/Demoscene
http://en.wikipedia.org/wiki/Tracker
BD: Como é que da demoscene se passou para as netlabels?
ps: A demoscene é tipicamente constituída por grupos de amigos. Alguns destes grupos focavam-se mais na produção musical, designando-se na demoscene como music groups, e utilizavam formatos de composição musical abertos (ver música tracker), a distribuição dos temas soltos era feita por BBSs, colecções de vários temas chamavam-se de musicdisks e normalmente tinham um interface gráfico próprio. Ainda se fazem algumas de vez em quando hoje em dia.
Nos finais dos anos noventa havia bastantes destes grupos de música a começar a distribuir as suas edições também em mp3, algures durante esta transição alguém começou a utilizar o termo netlabel, não faço a mínima ideia quem terá sido nem tenho grande curiosidade em saber. Suponho que o genérico termo "online music release group" já tinha demasiada conotação com os grupos de pirataria musical, um certo distanciamento para separar as águas também é importante.
BrainDance: Tu és um dos ‘veteranos’ do netaudio nacional e portanto vou-me aproveitar desse facto para tentar ter uma percepção mais ou menos cronológica da origem deste “movimento”. Segundo rezam as crónicas tudo começou na demoscene, verdade? O que é a demoscene?
ps: Viva João. A demoscene é uma cultura underground de arte digital. Nasceu da vontade de expressão artística e social dos grupos que pirateavam videojogos durante o seu rapido crescimento no final dos anos 80 e inicio dos anos 90. A cultura reestruturou-se num formato mais legal que consiste maioritariamente em produzir animações audiovisuais que executam em tempo real (framerate 30fps) num dado computador com determinadas capacidades gráficas. o objectivo é tentar fazer algo que demonstre as capacidades da máquina e a habilidade de quem programa as ditas demos. Estas chamadas demos são desenvolvidas sem fins lucrativos e distribuídas gratuitamente na net.
Deixo uns links para quem quiser saber mais sobre a demoscene e a sua ligação à distribuição gratuita de audiovisuais.
http://en.wikipedia.org/wiki/Demoscene
http://en.wikipedia.org/wiki/Tracker
BD: Como é que da demoscene se passou para as netlabels?
ps: A demoscene é tipicamente constituída por grupos de amigos. Alguns destes grupos focavam-se mais na produção musical, designando-se na demoscene como music groups, e utilizavam formatos de composição musical abertos (ver música tracker), a distribuição dos temas soltos era feita por BBSs, colecções de vários temas chamavam-se de musicdisks e normalmente tinham um interface gráfico próprio. Ainda se fazem algumas de vez em quando hoje em dia.
Nos finais dos anos noventa havia bastantes destes grupos de música a começar a distribuir as suas edições também em mp3, algures durante esta transição alguém começou a utilizar o termo netlabel, não faço a mínima ideia quem terá sido nem tenho grande curiosidade em saber. Suponho que o genérico termo "online music release group" já tinha demasiada conotação com os grupos de pirataria musical, um certo distanciamento para separar as águas também é importante.
BD: Apesar de as netlabels começarem, cada vez mais, a ter projecção e audiências e demoscene ainda existe e continua com a ser algo com uma aura underground apesar de, se não estou em erro, ser um verdadeira incubadora de génios informáticos que mais cedo ou mais tarde acabam nas grandes empresas de software, não é assim?
ps: Sim, a maior parte do pessoal de todo na demoscene trabalha para empresas de videojogos como programador, grafista ou compositor de bandas sonoras. Mas continua a ser uma cultura com pouca atenção mediática. Uns anos atrás era uma boa incubadora de talento porque não havia universidades especializadas em artes digitais, então quem era realmente muito interessado nestas coisas inevitavelmente dava de caras com a demoscene e tinha de lidar com os seus deuses. Hoje em dia já entramos numa comercialização do talento de criação digital portanto as universidades tratam de mostrar aos putos como se mete um cubo em opengl a rodar ou a usar o flash para fazer websites ou cursos de produção musical, a malta nova faz o trabalho de casa em casa e não chega a dar de caras com a demoscene. Tornou-se um bocado um sistema de palas nos olhos a preparar para o mercado de trabalho mas enfim, ao menos há mais gente a ser formada nestas lides com o apoio devido.
BD: Como funciona hoje em dia a demoscene e quais as grandes diferenças em
relação há 10 anos atrás?
ps: A média de idades costumava ser mais nova, de resto mudou a tecnologia bastante mas o interesse continua a gerar eventos regulares com competições. Talvez seja mais complicado chegar-se ao topo. Costumava ser que a demoscene andava à frente da industria de videojogos em termos de qualidade de gráficos a puxar pela capacidade da máquina, mas hoje em dia a industria de videojogos cresceu exponencialmente e equipas de 20 ou 30 pessoas num escritório das 9 às 18 não dão muita hipótese a 3 putos com uns fins de semana livres. Mesmo assim ainda se vão fazendo umas coisas interessantes.
http://pouet.net/sceneorg.php
BD: Em Portugal onde e como se pode ter contacto com a demoscene?
ps: Temos um blog sobre as actividades que vão acontecendo, não são muitas mas dá para matar a fome e estar dentro dos acontecimentos: http://scenept.blogspot.com
BD: Mudando de assunto: quando e como nasce a Enough Records?
ps: Acho que, oficialmente, foi em finais de 2001. Mas para dizer a verdade não tenho a certeza, não anotava as datas das coisas nessa altura. Íamos fazendo as coisas e prontos. A editora em si foi lançada por 3 pessoas, eu de Gaia, o Fred aqui de Coimbra e o harv3st de Lisboa. Originalmente era somente um projecto de webradio pirata para fazermos umas sessões de streaming de coisas que andávamos a ouvir privadamente. Não havia redes sociais nessa altura portanto havia muito mais interesse em partilhar o que íamos descobrindo musicalmente, as listas comercialóides´´ da mtv e da radio não chegavam minimamente, era sempre a mesma coisa, vira o disco e toca o mesmo, Queríamos descobrir coisas novas e pessoal que também produzia musica. Tivemos uns bons meses a puxar pela radio, com artistas convidados e programas regulares, streaming 24h por dia, vários relays. Isto em 2000 e 2001, antes de haver ligação cabo para toda a gente. Hoje em dia qualquer puto monta uma radio online em 2 dias. ‘Anyway’, começamos a publicar edições para o pessoal ouvir offline, quando finalmente nos demos conta do peso que a brincadeira estava a ter na carteira decidimos matar a coisa e lançar uma compilação de encerramento. A radio morreu, a editora que surgiu dela ficou. Ainda tínhamos umas ideias de editar fisicamente mas depois apercebemo-nos que era aturar muita burocracia para perder dinheiro garantidamente. O resto do pessoal fundador foi-se desligando, eu fui ficando e mantendo a netlabel.
BD: Qual o manifesto 'ideológico' que presidiu à criação da Enough? Mantém-se actual?
ps: Partilhar com o mundo gratuitamente os sons que a gente goste de vir a conhecer, desde que quem os fez concorde em nos deixar distribuir livremente. Ao mesmo tempo aproveitar para conhecer pessoal fixe metido na musica. Sim, acho que não mudou.
ps: Sim, a maior parte do pessoal de todo na demoscene trabalha para empresas de videojogos como programador, grafista ou compositor de bandas sonoras. Mas continua a ser uma cultura com pouca atenção mediática. Uns anos atrás era uma boa incubadora de talento porque não havia universidades especializadas em artes digitais, então quem era realmente muito interessado nestas coisas inevitavelmente dava de caras com a demoscene e tinha de lidar com os seus deuses. Hoje em dia já entramos numa comercialização do talento de criação digital portanto as universidades tratam de mostrar aos putos como se mete um cubo em opengl a rodar ou a usar o flash para fazer websites ou cursos de produção musical, a malta nova faz o trabalho de casa em casa e não chega a dar de caras com a demoscene. Tornou-se um bocado um sistema de palas nos olhos a preparar para o mercado de trabalho mas enfim, ao menos há mais gente a ser formada nestas lides com o apoio devido.
BD: Como funciona hoje em dia a demoscene e quais as grandes diferenças em
relação há 10 anos atrás?
ps: A média de idades costumava ser mais nova, de resto mudou a tecnologia bastante mas o interesse continua a gerar eventos regulares com competições. Talvez seja mais complicado chegar-se ao topo. Costumava ser que a demoscene andava à frente da industria de videojogos em termos de qualidade de gráficos a puxar pela capacidade da máquina, mas hoje em dia a industria de videojogos cresceu exponencialmente e equipas de 20 ou 30 pessoas num escritório das 9 às 18 não dão muita hipótese a 3 putos com uns fins de semana livres. Mesmo assim ainda se vão fazendo umas coisas interessantes.
http://pouet.net/sceneorg.php
BD: Em Portugal onde e como se pode ter contacto com a demoscene?
ps: Temos um blog sobre as actividades que vão acontecendo, não são muitas mas dá para matar a fome e estar dentro dos acontecimentos: http://scenept.blogspot.com
BD: Mudando de assunto: quando e como nasce a Enough Records?
ps: Acho que, oficialmente, foi em finais de 2001. Mas para dizer a verdade não tenho a certeza, não anotava as datas das coisas nessa altura. Íamos fazendo as coisas e prontos. A editora em si foi lançada por 3 pessoas, eu de Gaia, o Fred aqui de Coimbra e o harv3st de Lisboa. Originalmente era somente um projecto de webradio pirata para fazermos umas sessões de streaming de coisas que andávamos a ouvir privadamente. Não havia redes sociais nessa altura portanto havia muito mais interesse em partilhar o que íamos descobrindo musicalmente, as listas comercialóides´´ da mtv e da radio não chegavam minimamente, era sempre a mesma coisa, vira o disco e toca o mesmo, Queríamos descobrir coisas novas e pessoal que também produzia musica. Tivemos uns bons meses a puxar pela radio, com artistas convidados e programas regulares, streaming 24h por dia, vários relays. Isto em 2000 e 2001, antes de haver ligação cabo para toda a gente. Hoje em dia qualquer puto monta uma radio online em 2 dias. ‘Anyway’, começamos a publicar edições para o pessoal ouvir offline, quando finalmente nos demos conta do peso que a brincadeira estava a ter na carteira decidimos matar a coisa e lançar uma compilação de encerramento. A radio morreu, a editora que surgiu dela ficou. Ainda tínhamos umas ideias de editar fisicamente mas depois apercebemo-nos que era aturar muita burocracia para perder dinheiro garantidamente. O resto do pessoal fundador foi-se desligando, eu fui ficando e mantendo a netlabel.
BD: Qual o manifesto 'ideológico' que presidiu à criação da Enough? Mantém-se actual?
ps: Partilhar com o mundo gratuitamente os sons que a gente goste de vir a conhecer, desde que quem os fez concorde em nos deixar distribuir livremente. Ao mesmo tempo aproveitar para conhecer pessoal fixe metido na musica. Sim, acho que não mudou.
BD: Ao longo destes anos a Enough manteve sempre uma actividade editorial mais ou menos constante. Qual o processo que utilizas para seleccionar o que vais editando? Há limitação estílistica? Há preferência de géneros musicais?
ps: Ouço as demos que me vão enviando quando tenho tempo. Se gosto bastante edito, se não gosto digo porquê, e nessa altura ou o artista melhora a coisa até eu passar a gostar ou então temos pena.
Portanto não temos um género ou orientação estilística ‘per se’, ao contrário de muitas editoras de renome que acham isso imperativo para atrair clientes nicho, na enough simplesmente quero dar a conhecer aquilo que eu acho valer a pena ouvir várias vezes.
Tenho gostos bastante 'bipolares': portanto tanto encontram dark ambient tenebroso como idm fofinho, como noise extremo ou indie pop de domingo à tarde. Maioritariamente coisas electrónicas, mas não foi por imposição minha, simplesmente recebo poucas demos de projectos de bandas de sala de ensaio, devem gostar de ser pouco ouvidos por mim e pelo público que segue a Enough… não sei, nem perco muito sono a pensar nisso, promovo quem quer ser promovido, quem não quer: boa sorte para o projecto.
BD: Além de activista da demoscene e de mentor da Enough Records és também produtor, editando sob o peseudónimo de ps. Porquê ps? E já agora define o ps enquanto músico e produtor.
ps: ps é simplesmente a minha alcunha online, é um nome abstracto para representar o Filipe Cruz, interessado em várias coisas, maioria delas relacionadas com arte digital ou inteligência artificial. Enquanto músico e produtor tento transpor as emoções que vou encontrando o mais exacto possível ao que me vai na alma e na cabeça, para mim a produção musical é um processo catártico, serve para libertar ou celebrar certas coisas, não costuma ser nada pré-planeado ou especifico, gosto de improvisar e quando encontro algo que funciona e seja minimamente interessante procura capturar correctamente para poder ouvir novamente depois sobre outra perspectiva. tento mantê-lo puramente um hobby exploratório.
BD: Além da Enough Records quais as tuas netlabels favoritas? Nacionais e Internacionais e porquê?
ps: Nacionais só conheço bem as mais antigas, gosto especialmente da MiMi por não ter medo de noise e drone, sou bastante dessa onda. A Test Tube também faz um bom trabalho de gerência e imagem, e a Merzbau pelo seu espírito indie rock que falta bastante na cena internacional. Quanto a internacionais activas tenho devoção pela Entity (electronica experimental não pretenciosa) e pela Conv (ambientais e field recordings) desde há muito tempo, a Darkwinter também é muito boa para quem gosta de drone e dark ambient, a 8bitpeoples para overdose de chiptunes e 8bit, e mais recentemente andei a descobrir a Zymogen rogando-lhes muitas pragas pela enorme qualidade das suas edições. Paixões antigas nutro ainda pela mono211 e pela falecida Milk - quem não conhece decididamente que descubra o catálogo.
ps: Ouço as demos que me vão enviando quando tenho tempo. Se gosto bastante edito, se não gosto digo porquê, e nessa altura ou o artista melhora a coisa até eu passar a gostar ou então temos pena.
Portanto não temos um género ou orientação estilística ‘per se’, ao contrário de muitas editoras de renome que acham isso imperativo para atrair clientes nicho, na enough simplesmente quero dar a conhecer aquilo que eu acho valer a pena ouvir várias vezes.
Tenho gostos bastante 'bipolares': portanto tanto encontram dark ambient tenebroso como idm fofinho, como noise extremo ou indie pop de domingo à tarde. Maioritariamente coisas electrónicas, mas não foi por imposição minha, simplesmente recebo poucas demos de projectos de bandas de sala de ensaio, devem gostar de ser pouco ouvidos por mim e pelo público que segue a Enough… não sei, nem perco muito sono a pensar nisso, promovo quem quer ser promovido, quem não quer: boa sorte para o projecto.
BD: Além de activista da demoscene e de mentor da Enough Records és também produtor, editando sob o peseudónimo de ps. Porquê ps? E já agora define o ps enquanto músico e produtor.
ps: ps é simplesmente a minha alcunha online, é um nome abstracto para representar o Filipe Cruz, interessado em várias coisas, maioria delas relacionadas com arte digital ou inteligência artificial. Enquanto músico e produtor tento transpor as emoções que vou encontrando o mais exacto possível ao que me vai na alma e na cabeça, para mim a produção musical é um processo catártico, serve para libertar ou celebrar certas coisas, não costuma ser nada pré-planeado ou especifico, gosto de improvisar e quando encontro algo que funciona e seja minimamente interessante procura capturar correctamente para poder ouvir novamente depois sobre outra perspectiva. tento mantê-lo puramente um hobby exploratório.
BD: Além da Enough Records quais as tuas netlabels favoritas? Nacionais e Internacionais e porquê?
ps: Nacionais só conheço bem as mais antigas, gosto especialmente da MiMi por não ter medo de noise e drone, sou bastante dessa onda. A Test Tube também faz um bom trabalho de gerência e imagem, e a Merzbau pelo seu espírito indie rock que falta bastante na cena internacional. Quanto a internacionais activas tenho devoção pela Entity (electronica experimental não pretenciosa) e pela Conv (ambientais e field recordings) desde há muito tempo, a Darkwinter também é muito boa para quem gosta de drone e dark ambient, a 8bitpeoples para overdose de chiptunes e 8bit, e mais recentemente andei a descobrir a Zymogen rogando-lhes muitas pragas pela enorme qualidade das suas edições. Paixões antigas nutro ainda pela mono211 e pela falecida Milk - quem não conhece decididamente que descubra o catálogo.
BD: Atendendo à tua condição de veterano do netaudio como analisas o facto de a Thinner (tida para muitos como o exemplo da netlabel de sucesso, tendo em conta a sua longevidade e reconhecimento) ter passado a vender as suas edições e, simultaneamente, ter acabado com a sublabel Autoplate?
ps: Acho muito fraco da parte deles. De certa maneira até é um insulto aos artistas que com eles colaboraram no passado e aos ouvintes que tão fielmente os referenciavam, mas sinceramente não me surpreende muito. já conhecia o senhor que gere a Thinner desde o tempo em que lhes oferecia slots regulares na enough radio e já nessa altura demonstrava ter demasiado interesse egocêntrico e capitalista considerando a posição que tinha.
BD: Algumas das futuras edições pagas da Thinner incluem nomes que desde sempre estiveram ligados As netlabels como os Motionfield ou GastonArévalo. Achas que aquilo que o Sebastian Redenz (responsável pela Thinner) designa de ‘netlabel total’ é o futuro do netaudio ou a negação do conceito de netlabel? Porquê?
ps: Para mim é a negação. o conceito netlabel para mim passa por subverter a industria musical não ser subvertido por ela. o importante é fazer a musica nova chegar aos ouvintes, não tentar rentabilizar esse processo. a própria tentativa de rentabilização já corrompe o processo de selecção. para mim uma netlabel não aponta ser famosa, aponta distribuir boa música. o reconhecimento tem de ser algo resultante do trabalho efectuado a longo termo e não uma meta visada em cada edição planeada.
BD: Para acabar: fora do netaudio, dás atenção ao que vai sendo editado no
circuito comercial? Se sim diz-nos o que costumas ouvir.
ps: Algumas coisas, recomendações daqui e dali, mas não sei se a maioria delas poderá ser considerado comercial. costumam ser de editoras que visam distribuir musica diferente, não pop ou comercial. Tenho bastantes CD’s da Kranky e da Type por exemplo. Tenho também o catálogo quase completo da Miasmah e da Thisco (mas os donos destas duas são meus amigos, suponho que não conta tanto), não tenho mais CD´s da Antzen/Hands ou da 12k por exemplo porque são caros demais senão tinha e ouvia muito mais certamente, o que conheço deles tem boa qualidade. Tenho algumas coisas da Planet Mu, e bastantes coisas da Warp antiga (antes de virarem ‘comercialóides’, portanto acho que também nao conta muito :D)
Suponho que não ligo muito ao circuito verdadeiramente comercial, mas vou apanhando umas recomendações de vez em quando para cuscar e se for mesmo bom acabo por encomendar quando apanho uma loja online em saldos, mas a maior parte das novidades que ouço costuma soar baço e a mais do mesmo apesar de bem produzido, o que para mim é completamente desinteressante.
ps: Acho muito fraco da parte deles. De certa maneira até é um insulto aos artistas que com eles colaboraram no passado e aos ouvintes que tão fielmente os referenciavam, mas sinceramente não me surpreende muito. já conhecia o senhor que gere a Thinner desde o tempo em que lhes oferecia slots regulares na enough radio e já nessa altura demonstrava ter demasiado interesse egocêntrico e capitalista considerando a posição que tinha.
BD: Algumas das futuras edições pagas da Thinner incluem nomes que desde sempre estiveram ligados As netlabels como os Motionfield ou GastonArévalo. Achas que aquilo que o Sebastian Redenz
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
[entrevista] : xs records pt netlabel
01. Quando e quais foram as tuas motivações para iniciares uma NETLABEL?
O mundo está em mudança, a maneira como a globalização se estendeu de forma tão rápida num espaço tão curto de tempo, e principalmente desde que a internet entrou em cena, foram sem dúvida determinantes para que a indústria discográfica entrasse em decadência dando então origem ao fenómeno do netaudio. Desde há uns anos para trás quando no meu percurso de música erudita comecei a experimentar coisas diferentes daquilo que fazia inicialmente, tive necessidade de dar a conhecer o meu trabalho. O myspace foi numa fase inicial importante, mas com o passar do tempo fui tendo necessidade de ter material editado. As editoras físicas, nunca me abriram portas, devido ao facto de não ter nome na praça. O mesmo se aplicava a concertos e agendamento de datas para projectos meus. Fui criando o meu próprio circuito, e com isso abriram-se-me portas para iniciativas que até então me seriam possíveis. tive propostas de colaboraçõesconsegui agendar algumas datas para projectos da minha netlabel, em fnacs; por muito contracensual, penso que a médio longo prazo com o possível aumento do número de netlabels nos locais onde me encontro enraizado - Braga e Castelo Branco - seja possível organizar beatsplay free; ainda para mais temos agora a possibilidade de fazer concertos por streaming.
02. Antes de teres iniciado a NETLABEL, qual era a tua relação com a indústria discográfica e com a música em geral?
Tinha começado a participar em colectâneas editadas em suporte físico, nomeadamente com a thisco, e tinha edições pontuais em netlabels como a MiMi Records.
03. O que é que a NETLABEL propõe e quais são os procesos criativos que a diferenciam das restantes?
Aquilo a que basicamente me propus foi criar um circuito, com o qual me identificasse e no qual me conseguisse rever. Talvez por gostar de ouvir um pouco de tudo, desde que a música em causa me diga algo, consegui tão rápido ter um catálogo tão extenso, apesar de haver poucos downloads, o que no fundo é de minha culpa, uma vez que nem sempre o tempo chega para promover com afinco todos os músicos com quem trabalho.
04. Como é o teu dia-a-dia, ou melhor, como é o dia-a-dia da NETLABEL?
Visita do myspace, numa de encontrar novos projectos para editar.
05. Como é que fazes a escolha dos projectos/artistas?
Normalmente ouço-os no myspace, e se a música deles me disser algo de especial peço-lhes para me mandar uma demo e aí pondero se os hei-de editar ou não.
06. E ao nível de promoção? Quais são os mecanismos que usas para promoveres os teus artistas?
Organização pouco pontual de eventos (infelizmente e por falta de tempo para fazer mais e melhor), publicitação em blogs, direccionados quer para música portuguesa quer para netlabels; e volta e meia (quando tenho disponibilidade e tempo, actualização de alguns serviços como o earlabs.
07. A cada dia que passa vemos nascer novas netlabels e a quantidade não para de aumentar, apesar de algumas "perderem-se" pelo caminho. De que forma achas que as netlabels poderão sobreviver e consolidarem os seus projectos no futuro?
Tentarem-se diferenciar de alguma maneira e procurar ao máximo explorar as possibilidades da creative commons por um lado (e tentar ir de encontro a iniciativas, como as de bandas como radiohead, nine inch nails, ou portishead); serem fieis a alguma convicção no sentido de prosseguir o seu trabalho de forma coerente.
08. Voltando à NETLABEL. Quais vão ser as próximas edições?
Nunca tenho calendário de edições. Quando aparece algo que goste e que seja viável para ser editado, lá faço mais uma a três/quatro releases no máximo de uma acentada.
09. Escolhe 3 netlabels e 3 edições?
Exurban Records, Crónica Electrónica, Test Tube.
Minson - Min's illusion
3 way split - L'homme, Seal of Quality, Arcadecoma
I am the astroboy - a derrota da engrenagem
10. E as netlabels portuguesas? Conheces alguma ou alguns dos seus projectos/artistas editados?
Merzbau, Test tube, cronica electronica, MiMi records, phonotactics, catita, you are not stealing records, enough records entre muitas outras. Children for breakfast, I am the astroboy, L'homme manette, ed da sampler, dopo, osso, minson, ps, noiserv, etc.
11. Queres deixar algumas palavras aos leitores do BPF e aos entusiastas do netaudio?
Saquem música, mas saquem música livre, quer de preconceitos, quer de burocracias.
O mundo está em mudança, a maneira como a globalização se estendeu de forma tão rápida num espaço tão curto de tempo, e principalmente desde que a internet entrou em cena, foram sem dúvida determinantes para que a indústria discográfica entrasse em decadência dando então origem ao fenómeno do netaudio. Desde há uns anos para trás quando no meu percurso de música erudita comecei a experimentar coisas diferentes daquilo que fazia inicialmente, tive necessidade de dar a conhecer o meu trabalho. O myspace foi numa fase inicial importante, mas com o passar do tempo fui tendo necessidade de ter material editado. As editoras físicas, nunca me abriram portas, devido ao facto de não ter nome na praça. O mesmo se aplicava a concertos e agendamento de datas para projectos meus. Fui criando o meu próprio circuito, e com isso abriram-se-me portas para iniciativas que até então me seriam possíveis. tive propostas de colaboraçõesconsegui agendar algumas datas para projectos da minha netlabel, em fnacs; por muito contracensual, penso que a médio longo prazo com o possível aumento do número de netlabels nos locais onde me encontro enraizado - Braga e Castelo Branco - seja possível organizar beatsplay free; ainda para mais temos agora a possibilidade de fazer concertos por streaming.
02. Antes de teres iniciado a NETLABEL, qual era a tua relação com a indústria discográfica e com a música em geral?
Tinha começado a participar em colectâneas editadas em suporte físico, nomeadamente com a thisco, e tinha edições pontuais em netlabels como a MiMi Records.
03. O que é que a NETLABEL propõe e quais são os procesos criativos que a diferenciam das restantes?
Aquilo a que basicamente me propus foi criar um circuito, com o qual me identificasse e no qual me conseguisse rever. Talvez por gostar de ouvir um pouco de tudo, desde que a música em causa me diga algo, consegui tão rápido ter um catálogo tão extenso, apesar de haver poucos downloads, o que no fundo é de minha culpa, uma vez que nem sempre o tempo chega para promover com afinco todos os músicos com quem trabalho.
04. Como é o teu dia-a-dia, ou melhor, como é o dia-a-dia da NETLABEL?
Visita do myspace, numa de encontrar novos projectos para editar.
05. Como é que fazes a escolha dos projectos/artistas?
Normalmente ouço-os no myspace, e se a música deles me disser algo de especial peço-lhes para me mandar uma demo e aí pondero se os hei-de editar ou não.
06. E ao nível de promoção? Quais são os mecanismos que usas para promoveres os teus artistas?
Organização pouco pontual de eventos (infelizmente e por falta de tempo para fazer mais e melhor), publicitação em blogs, direccionados quer para música portuguesa quer para netlabels; e volta e meia (quando tenho disponibilidade e tempo, actualização de alguns serviços como o earlabs.
07. A cada dia que passa vemos nascer novas netlabels e a quantidade não para de aumentar, apesar de algumas "perderem-se" pelo caminho. De que forma achas que as netlabels poderão sobreviver e consolidarem os seus projectos no futuro?
Tentarem-se diferenciar de alguma maneira e procurar ao máximo explorar as possibilidades da creative commons por um lado (e tentar ir de encontro a iniciativas, como as de bandas como radiohead, nine inch nails, ou portishead); serem fieis a alguma convicção no sentido de prosseguir o seu trabalho de forma coerente.
08. Voltando à NETLABEL. Quais vão ser as próximas edições?
Nunca tenho calendário de edições. Quando aparece algo que goste e que seja viável para ser editado, lá faço mais uma a três/quatro releases no máximo de uma acentada.
09. Escolhe 3 netlabels e 3 edições?
Exurban Records, Crónica Electrónica, Test Tube.
Minson - Min's illusion
3 way split - L'homme, Seal of Quality, Arcadecoma
I am the astroboy - a derrota da engrenagem
10. E as netlabels portuguesas? Conheces alguma ou alguns dos seus projectos/artistas editados?
Merzbau, Test tube, cronica electronica, MiMi records, phonotactics, catita, you are not stealing records, enough records entre muitas outras. Children for breakfast, I am the astroboy, L'homme manette, ed da sampler, dopo, osso, minson, ps, noiserv, etc.
11. Queres deixar algumas palavras aos leitores do BPF e aos entusiastas do netaudio?
Saquem música, mas saquem música livre, quer de preconceitos, quer de burocracias.
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